Adeus, Massa! E não haverá ninguém para defender o Brasil na F-1 por um bom tempo

Dezoito de julho de 1970: Emerson Fittipaldi estreia na Fórmula 1. Vinte e seis de novembro de 2017: pela primeira vez em 47 anos, o Brasil não tem mais um piloto na categoria. A aposentadoria de Felipe Massa, ao cruzar a linha de chegada do GP de Abu Dhabi em 10º lugar, na prova vencida pelo finlandês Valteri Bottas neste domingo (26/11), encerra uma tradição de quase cinco décadas, oito título mundiais, 101 vitórias e 126 pole positions.

Fosse apenas por uma entressafra, a ausência de representantes brasileiros na F-1 poderia não ter um significado marcante. Mas ela é uma consequência, entre outros fatores, da deficiente formação de pilotos no país. Falta estrutura, faltam investimentos. E isso não se deve apenas à crise econômica, recente demais para ser a única culpada.

Com exceção do kart, que jamais deixou de existir no Brasil, o país dispõe apenas da Fórmula 3 para preparar garotos e garotas para o automobilismo de monopostos. E, mesmo assim, é uma opção nova, que voltou a ser disputada como Campeonato Brasileiro em 2014 – até então, era Sul-Americana.

A melhor alternativa para os jovens seria competir em campeonatos europeus, mas os valores são proibitivos. E fica bastante difícil conseguir patrocínio para tentar a sorte no exterior, já que não há nenhuma garantia de retorno financeiro. Desta forma, apenas quem tem família rica consegue vislumbrar uma carreira. Como talento ainda fala mais do que dinheiro na hora de acelerar, não dá para se garantir apenas com um polpudo cheque.

Se não bastasse toda a dificuldade financeira, a Fórmula 1, o auge das corridas de automóveis, ainda perdeu muito de sua popularidade no Brasil — e no mundo, com grande queda na audiência na última década. Tanto que, em anos recentes, a TV Globo tem deixado de transmitir corridas por conta de partidas do Campeonato Brasileiro no mesmo horário.

Popularidade que despencou com a falta de resultados expressivos de brasileiros na F-1. A última vitória do Brasil na categoria ocorreu em setembro de 2009, com Rubens Barrichello guiando um carro da Brown – campeã daquele ano com o inglês Jenson Button. Felipe Massa, a esperança verde-amarela pós-Rubinho, chegou a um vice-campeonato mundial em 2008, quando perdeu o título nos últimos metros do GP Brasil para o inglês Lewis Hamilton. No entanto, depois do acidente sofrido em 2009, quando uma mola do carro de Barrichello atingiu seu capacete, Massa jamais voltou a brigar cabeça a cabeça por um título.

Como não virou ídolo, Massa não pôde impulsionar a garotada a seguir seus passos. Muito diferente dos tempos de Fittipaldi, Nelson Piquet e Ayrton Senna, responsáveis, em grande parte, por estimular muitos meninos – e meninas – a tentarem carreira no automobilismo.

Com nova presidência desde março de 2017, a Confederação Brasileira de Automobilismo faz planos para resgatar a formação de pilotos. Para isso, tem no projeto da Escola Brasileira de Kart a principal cartada. Ele consiste na instalação de centros de formação em várias cidades. Voltada para crianças de 6 a 12 anos, a EBK tem como objetivo a formação básica de piloto por um custo de cerca de R$ 3 mil.

Enquanto a escola ainda não é uma realidade, o Brasil tem poucas opções para retomar a tradição na Fórmula 1. O mais próximo da categoria é Sérgio Sette Câmara, de 19 anos, atualmente na F-2 – principal acesso à elite. Embora tenha conquistado a primeira vitória na categoria em 2017, ele ainda precisa pavimentar seu caminho com mais resultados expressivos para sonhar com o ingresso na F-1.

Novos representantes de velhos clãs das pistas, Pedro Piquet e Pietro Fittipaldi constroem boas carreiras, mas estão distantes do topo. Mais longe ainda, o garoto Gianluca Petecof, de 14 anos, foi sexto colocado no Mundial de kart de 2017 e acabou convidado pela Ferrari para testes na Fórmula 4 da Itália.

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Categorias:AUTOMOBILISMO

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